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A cada atraso, vidas se perdem na Estrada

Prevista para ser concluída em 2015, a duplicação do Trecho Sul da BR 116 está com cerca de 60% das obras concluídas. Entretanto, os trabalhos nos 211 quilômetros entre Guaíba e Pelotas caminham a passos lentos devido as inúmeras paralisações ao longo da sua execução, que segue sem perspectiva de entrega.

“Em 12 meses, 255 acidentes, nesse trecho, causaram a morte de 30 pessoas. A cada atraso, vidas se perdem na estrada”, ressalta o vereador Mauro Zacher, que no final de abril passado participou de encontro de mobilização com a participação de lideranças e de todo o Estado, realizado em Camaquã, para chamar a atenção ao problema.

O superintendente do Dnit, Hiratan Pinheiro da Silva, acredita que seja possível retomar os trabalhos ainda no primeiro semestre de 2018. Pelos seus cálculos, a conclusão do trecho necessita de mais um ano e meio de serviço.

Até o momento, desde o início dos trabalhos, em 2012, foram investidos R$ 791 milhões. Para concluir a duplicação faltam ainda R$ 556 milhões. Em 2018, graças a uma emenda impositiva da bancada federal gaúcha e a pressão do movimento Duplicação Urgente – BR 116, está previsto investimento de R$ 99,5 milhões no projeto.

Em 2012, a previsão de investimento para duplicar 211,22 quilômetros (sem contar o contorno de Pelotas) era de R$ 868,9 milhões. Hoje, cálculos atualizados apontam que a obra custará R$ 1,3 bilhão, um aumento de R$ 478,3 milhões.

A justificativa para o aumento está no baixo ritmo das obras que leva a necessidade de reajustamento do custo. Com 58,7% das obras concluídas, a duplicação está paralisada em mais da metade dos nove lotes e, por isso, os recursos liberados para 2018 restão sendo investidos naqueles que estão em andamento: o 4 (Camaquã), o 5 (Camaquã), o 6 (Cristal) e o 7 (São Lourenço do Sul).

Empresa enfrenta dificuldades financeiras

A duplicação do trecho entre Guaíba e Barra do Ribeiro era de responsabilidade da construtora Constran. Porém, em recuperação judicial, a empresa não tem conseguido obter o seguro garantia para retomar o contrato com o Dnit. A segunda opção seria relicitar toda a obra, mas essa alternativa acarretaria mais de um ano de espera. Diante do impasse, o departamento cogitou chamar a segunda colocada na licitação. No entanto, os serviços que ainda precisam ser executados são pouco atrativos devido à baixa rentabilidade, uma vez que a concorrência é de 2010.

As obras no trecho estão paradas há um ano e três meses. Desde maio de 2013, 62% dos serviços foram realizados na região. Ainda faltam concluir o viaduto de Barra do Ribeiro, a travessia urbana de Guaíba e a pavimentação de 24 quilômetros.

Já os trabalhos no lote 2 estão paralisados desde o começo de 2016. No local, 70% do serviço foi realizado — resta, ainda, a terraplenagem e a pavimentação de todo lote.

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