Compromisso, verdade
humildade e cidadania

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MauroZacher 370

Porto Alegre comemora seu 240º aniversário com atividades que nos enchem de orgulho e prazer. Em cada comemoração há agradecimento, expectativa e criação. Festejar uma cidade é homenagear os que a habitaram antes de nós, de quem recebemos heranças culturais. Mas, nestas datas, projetamos também desejos e vamos “moldando” a história com valores e projetos.

No magnífico show de Maria Rita, por exemplo, todos os que lá estiveram lembraram de Elis, a portoalegrense do IAPI cujo talento, talvez, muitos gaúchos não tenham sabido apreciar devidamente ao seu tempo. Mas quando a delicada voz de Maria Rita silenciou e encantou milhares de pessoas à beira do Guaíba, era a lembrança de Elis que nos atravessava de forma talvez derradeira. Como se precisássemos chorar outra vez sua falta, como se houvesse uma desculpa possível, como se a cidade toda se curvasse diante da arte que se afirma por sobre a intolerância e o preconceito. É bela a cidade que pode ter experiências como esta, de fruição estética, de paz, alegria, e, ainda, de reconstrução de valores e sensibilidades. Imaginei, então, que o futuro de Porto Alegre poderia, de alguma maneira, imitar o que estávamos sentindo ao ouvir Maria Rita e se espelhar na forma amável como as pessoas – em suas tantas diferenças – se relacionaram entre si e com o próprio espetáculo.

Digo isto, porque se tornou comum pensar o futuro da cidade na moldura das inovações tecnológicas e dos investimentos para grandes obras. O que é muito importante, claro. Só não devemos esquecer que aquilo que Porto Alegre será –daqui a dez ou cem anos – estará definido pela natureza da convivência entre seus habitantes. O papel do Poder Público, neste particular, é o de assegurar a vigência de regras para a convivência democrática, estimulando a cultura de paz; o que pode ser traduzido pelo objetivo de erguer uma cidade onde as pessoas se respeitem.

A Câmara de Vereadores da capital irá elaborar uma lei moderna que substitua o “Código de Posturas”, regramento que se tornou ultrapassado e inoperante. Nosso compromisso é o de criar, com base em sugestões da sociedade civil, o anteprojeto da lei que denominamos “Código de Convivência Democrática” para, então, debatê-lo amplamente com a cidade durante um ano. Ao final deste prazo, já na nova Legislatura, o parlamento deverá aprovar o texto final, definindo os padrões de convivência para uma Porto Alegre promotora dos direitos fundamentais, vocacionada pela liberdade e pelo respeito às diferenças, comprometida com a justiça, com o desenvolvimento sustentável e com a inclusão social. Para que, um dia, quem sabe, Porto Alegre seja como um show de Maria Rita à beira do Guaíba.

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